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Blog de versiclus104
 


01

 

Eis aí se avaliando, cabisbaixa, má aluna

Após ver reduzida a pó a encurvada coluna

Caída do parapeito! Às pressas, saiu da tribuna!

Auscultou o peito apertado pelo peso da lacuna!

Foi até o ouvido - mas quando se quer que o vento zuna

Dentro dele "Basta!", sequer a lábia e os lábios da gatuna

Bastam pra nun se ter o peito d'escolher a queda que puna

O que por dentro lh'exaspera - e assim se destrua sua fortuna

Dada num lance de dados! Naquela hora - sabe-se lá se oportuna -

Se abrigou numa cova bem funda aberta por suas mãos numa duna

E lá com despeito ordenou ao seu corpo: "Dessa vida que leva se desuna!"

Vá! Exume sua alegria! Você nun é ex-anjo não! Por favor, venha! Se muna

Da certeza de que nossa influência nu homem é quase nula! À nossa comuna

Volte! Mesmo com tal final infeliz, nun se revolte! Você se saiu ótima, Luna!

 

 



Escrito por versiclus104 às 10h41
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02

 

A sereia nada séria que nun aprecia praia

Enfetiça um ulisses d'enredo bem comum

Não pelo visual, mas sim, sutil, usand'um

Riso que na sua missão de alegrar nun falha -

Mesmo qu'incidindo mudo sobre a fria tela!

Esse teimos'ulisses resiste ao que lhe ordena

A lenda original, pois houve que vale a pena

Largar seu regresso ao lar pr'alargar o riso dela!

Verdade que ambos nun s'enxergam não!

Nun tomam consciência que é sempre em vão

Pensar que a realidade supera a imaginação!

Nesta a sereia vira a branca de neve c'um senão:

Nun há um anão na barra da saia! Será papelão

Esse ulisses se achar à altura pro papel de anão?

 



Escrito por versiclus104 às 10h32
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03

Fulana: "Um novo alguém cê arranjou?!"

Beltrana com sorriso lá se ufana: "Sim! Tou

Com alguém - novo - que me deixa toda prosa!

E olha que sou bem quieta,

Mas perto do aperto estreito dele... aii... Minha Nossa!

Parece que desembesta

Meu verbo! Junto dele, até numa corda bamba

Requebro! Nossas pedras que rolam dão samba!

A sigla da lápide de meu já [a]batido coração

Continha um lapidar erro meu d'interpretação:

Do que pra mim já era - um Jaz Aqui Morto -me sai,

D'improviso, um estonteante Jazz After Midnight!

Mesmo se fula de raiva de mim, mando na hora, Fulana,

Os contratempos pro espaço quando ela em mim flana!

 



Escrito por versiclus104 às 10h28
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04

 

Entrou nu seleto grupo das balzacas!

Como Você, possuindo o bolo e a faca

Entre os dentes, sabe se divertir pacas!

Sempre [a]pronta a[ ]pesar [d]a ressaca!

Com os instintos à flor da pele, até ataca

As Parcas! Um mágico, se preciso, saca

Da cartola pra curá-la quando cai d[a] maca!

Se for elogiada nu trânsito, retribui: "Taca

A mãe!" Às vezes, sem mais, a coisa empaca

E torna a vida imensa floresta bem fria e opaca!

Cumpriu nem a terça parte do tempo que lhe cabe

Nessa peça que vez e outra nus prega uns baques!

Mas, passado o susto, é sua vez de nu autor pregar uma peça

Ao lembrar àquele Senhor que Você nun tá co'a menor pressa!

 



Escrito por versiclus104 às 10h24
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05

 

Um quarto doado ao filho:

Um ao trabalho; um pra si!

Pra que se feche o círc'lo

Conclui que necessita de

Quarto que lhe sej'abrigo certeiro

Após as brigas de foice e morteiro

Travadas dia a dia quase o dia inteiro,

Que nun encarne nem terços nem quintos,

Que nun se divida a ponto de dar um labirinto,

Que nun se transforme em gigantesca morsa

Lh'apertando até que lhe deix'imóvel com'uma morta-

Viva com o remorso de aceitar isso como algo líquido e certo!

Que o quarto s'expanda a ponto de nun lh'impor um baixo teto

E nem lhe tirar o chão dos pés nus seus momentos inquietos!

 



Escrito por versiclus104 às 10h19
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06

 

"Você me é uma mãe!" Nunca lhe diga essa caca,

Mesmo havend'um tom incestuoso na sua fala!

Pode ser que cê nun esteja nu seu dia ao pegá-la

Estando naqueles dias em qu'está co'a macaca!

Na mais pura intolerância armada, a mulher-bomba,

Nun se agüentando na espera da derrama de sangue,

Implode quando nun s'espera, e atinge até a sombra

Da sua vítima - nun importa o quão ela esteja distante!

Da flor em pessoa brota a bru[p]ta casca-grossa à flor da pele!

Pra se ferir, basta somente que nela de leve e sem querer rele!

Um quarto de quarto de gota d'água de mágoa já rompe o dique

Dos seus olhos e leva o meu anêmico barco de papel a pique!

Contra os crimes da infeliz cidade há a ala feminina da P.M!

Mas nem esta pode me defender da sua desabalada T.P.M!

 



Escrito por versiclus104 às 10h16
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07

 

Coloquei dentro da minha mala pequenina

Algumas coisas pra poder seguir viagem!

Pr'onde me mando, que nun m'indaguem:

"Está a sós? Querendo, mando na senhorita!"

Entre os meus poucos pertences, duas gastas solas

Esfolando as plantas, [d]os pés! Um toró me assola

A alma e o vento me rouba o guarda-chuva!

Daí entro na mala - tenda muitíssimo justa!

N'outro dia, sol a pino! Os grãos de areia sem fim

Viram gotas d'água e a mala, gigantesca prancha!

Com ela presa nu suvaco, meu corpo se lança

Pro mar acolhe[-]dor e sente sua maciez... de marfim!

Ao acordar, estou sem minha mala e com esse pedido:

"Tem alguém aí que conheça um Achados e Perdidos?!"

 



Escrito por versiclus104 às 10h12
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08

 

Nesse filme B o que mais se admira

É os bandidos serem bons - de mira!

Repetem a mesma cena nas horas extras

Na busca do tão esperado reconhecimento

( Procurado vivo ou morto ) dos extras!

Estes, apesar de [c]alêjados, nu momento

Em que a cena acontece de novo, têm a reação

Inicial de querer reverter logo o seu papelão,

Executando[-os n]uma formidável super-ação

Típica dum [de]es[es]perado ato de superação!

Por aqui, nu papel, há super herói pra gente de Lilipute:

Com [des]medidas humanas, um senhor morcego

Que, já por aqui, remói: "Chega dess'emprego -

Nu qual sou visto com'um rato alado por esses mamutes!"

 



Escrito por versiclus104 às 10h09
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09

 

Súbito, à cansada vista

Minha se avisa: "Desista!

Todos seus pontos de vista

Nun serão mais [p]revistos!

Sua vida a perder de vista

Foi-ce! Resta aceitar isto!

Gente que por aquela curva pasa nunca mais é vista!

Nun se pode dizer que nun se alerta com placas na pista!

Sei... a gente é que costuma fazer vistas grossas

Pra nun se lembrar que esta vez um dia será nossa!

Se me ataca [mor]tal lucidez, peço que Mia se desvista

Das suas peças mais íntimas pra que eu, então, A vista

Peça por peça co'as minhas fantasias! Peço que a gent'invista

Nossas fortunas nu presente - a única coisa a saltar de vista!

 

 



Escrito por versiclus104 às 10h03
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10

 

Pouco a pouco os corpos afins vão se apropriando um do outro sem hora

Pra sair! Um pede ao outro: "Minha carne na sua - algeme-a!"

Ambos os corpos ( que aos outros vivem se retratando

E delegando ) deletam o figurino que cada um veste obrigado!

A asma dela e a enxaqueca dele têm dissolução

Enquanto os dois tão de[le]itados! A dupla, morosa,

Se dá abrigo mútuo após um acomodar o outro à altura;

Abolem a vertigem seus corpos s'expondo às alturas!

Um corpo - [re]pousando depois que goza, amorosa-

Mente, esse mundo imune a qualquer solução -

Diz ao outro, com [o] tato, assim que apartados: "Obrigado!" !

Os olhos dela se põe a ficar, demoradamente, retratando

A gema [a]guardada nu corpo dela pelo corpo da alma gêmea!

Assim o corpo duma senhora mulher de alto a baixo do dele se assenhora!

 



Escrito por versiclus104 às 17h37
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11

 

Da laje

Se ejeta!

Assim reage

Ao projétil

Que aquieta,

Deixa estéril,

Paralítico e frio

O seu irmão!

Entretanto, uma mão

Feita de fios

Elétricos daquela rua

Nun deixa -

Por um fio que seja -

Que o corpo dela rua!

 



Escrito por versiclus104 às 17h32
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12

 

Curtindo sua namorada,

Qu'é daquelas bem namoradeiras,

Cê se sente na morada

Viva do bem com eiras e beiras!

A hora vive demorada:

A faceira vela do jantar faz cera!

Ela que só Você - Você só quer ela!

A diferença d'idade o desejo jamais encurta!

Corpos ligados desligados das seqüelas

Do sol do dia-a-dia que até deuses murcha!

E embora [se] vista, lá nu lado de fora,

Como a distinta senhora do seu nariz,

Aqui, sem trajes civis, a olho nu lhe é -

Pur[o] instinto - uma senhora mulher!

 



Escrito por versiclus104 às 17h28
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13

 

Correndo atrás

Pra ver se traz

Não a cara limpa

Da não benvinda

Incontornável ruga

Que à pele suga,

Tampouco superVisão

Pra reparar sua visão -

E sim ouvidos

Ao seu umbigo,

O usufruto do seu ventre

A quem a deixe - al dente,

Ao gozo os acréscimos

De mais uns décimos!

 



Escrito por versiclus104 às 17h24
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14

Minha Helena de Tróia,

Me aliena! Destrói a

Culpa a pesar sequóia

Nus ombros! Assim, a gente bóia

Num mar de cadáveres de Goya!

Me aliena! Some co'a revanche

Das hienas que dão um punch

Nu derretimento do corpo - cuja avalanche

Enterra o não que congela o calor do sangue!

Me aliena! Joga o mundo com'um bumerangue!

Enquanto ele não [trans]torna de volta, nus desmancha

Pro nosso corpo maculado receber o Dom de La Mancha !

Se a gagá desmancha-prazer de mão-cheia nus pega na cama:"Isso pro que é?!",

Nus[,] explicamos desse jeito: "Camarada,... isto...isto...quem é que nun quer?!"

 



Escrito por versiclus104 às 17h21
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15

Nu [de]coro dela a garra dele tatua,

Após des[a]fiar a fina anágua

( Véu entre a sede e a água ),

Garrancho que significa: "Você atua

Como a MaGaTaLassa secando adegas,

Desembainhando unhadagas

Pra rasgar a seda e todas as pregas

Da minissaia e das bragas

E s'indispondo contra os panos

Quentes a nun permitirem que por completo se desmilingüa

O medo de se dar a Pã!" Nus,

Os dois s'entendem, graças à habilidade n'uso duma língua

Franca, pra que ela goze [ - eis ] a condição d[o] membro

Religado, a contento, a outra cabeça, tronco e membros!

 

 



Escrito por versiclus104 às 17h12
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